quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Clichê
Divide tua cama de solteiro, afaga meu cabelo, aperta minha cintura e me beija na nuca. Liga para me lembrar de colocar mais café, diz que pensa em mim quando escuta Mallu Magalhães e me fala do que tu tem fé. Assiste filmes de terror comigo, lembra de comprar pão, me chama para conhecer teus amigos, briga por causa de ciúme, liga para pedir desculpa, se suja com sorvete e depois ri comigo.
Diz que ama o molho que eu coloco no macarrão e me fala o que tu tem paixão. Adoro quando tu gosta das minhas rimas, quando faz chover meu coração, quando me ajuda a procurar os óculos. É só emoção.
Quando tenho minhas crises de identidade, você tá comendo pipoca e fazendo piada. A gente fica até de manhã jogando na sua tela plana e falando da Dona Joana. E até quando tu me levas de bicicleta para casa, eu me sinto segura, como se tu já fosse tamanha cura.
Nossa, é clichê demais, né? Mas ainda descubra que romance não é.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
Querida solidão
No meio da noite, até bate um pouco de frustração, mas eu só trato como uma distração - é, da mesma forma que já fui, inúmeras vezes, tratada.
É, parece egoísmo, mas tem compaixão. Eu só peço que dê tudo certo, antes de dormir, na minha oração. Pode até ser exagero, mas é só admiração. E assim eu termino, o meu texto sem graça, mas com muita vibração.
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Mistura
Os dedos que deslizam nas notas do piano, não eram os mesmos que acariciavam os cabelos depois de uma taça de vinho na janela, em pleno sábado à noite. Por que chorava? Por que me contava? Eu até levantaria os motivos, que qualquer um tem, mas é difícil associá-lo como "qualquer um".
Eu não diria vergonha ou egoísmo. Eu não diria nada, na verdade, prefiro nem chutar, resolvi parar de decodificá-lo nos momentos em que ele me encarava. Deixava bem claro que aquilo, de certa forma, o incomodava - com todo direito, já que eu estava tentando penetrar na sua mente e revelar seus segredos, sem mais nem menos.
Não pedi desculpa, deixei que ele imaginasse tais palavras saírem da minha boca e, como sempre, ele ignorá-las. Não que ele me ignorasse, mas só o que eu falava - acredite, é completamente diferente. Era até bom, porque eu sabia a hora de parar, sabia quando extrapolava e dizia a si mesma: cala a maldita boca.
Quando a gente gosta de alguém, sabe quando é correspondido - se não sabe, acredite, não gosta realmente dela. Sem essa de "preciso ter certeza", não estraga. É, fica sentada no canto da sala, deixa ele tocar o piano com os cabelos desajeitados e a barba por fazer.
Sábado à noite, sempre. Não namorávamos, não éramos amigos. Era uma mistura - sim, eu rotulei e realmente espero que ele nunca saiba -, não uma "amizade colorida", mas mistura mesmo. Digamos que seja como um sorvete de napolitano: três complementos juntos, que podem ser separados, mas seria um pouco difícil - eu, ele e o piano.
Depois de tanto tempo calada, enquanto ele chorava, eu conclui: fim. Estava claro e, ao mesmo tempo, implícito. Aos olhos alheios, nunca fez sentido. Aos nossos, porém, sempre fez. Quando o fim chega, o começo destrói e acaba sendo amigo. Mas, droga, éramos uma mistura!
O fim nunca ocorreu verdadeiramente, porque nunca fez sentido. Nunca fará sentido.
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Gosto dele
Eu realmente gosto dele. Gosto quando ele esquece o casaco aqui e vem pegar no meio da tarde, quando estamos andando de mãos dadas e até quando ele rouba uma rosa de um muro qualquer. Gosto quando ele pega em meus cabelos e coloca-os de trás da orelha, quando ele lê Um homem visto por uma mulher e lembra de mim. Até de passar as mãos no seus cabelos negros enquanto está deitado nas minhas pernas, eu gosto.
Gosto quando ele olha minha caixa do correio, quando ele lembra de trazer o jornal de manhã cedo e fica deitado comigo no fim da tarde discutindo música - sempre com uma opinião formada de tudo.
Gosto quando ele deixa a barba crescer - por favor, deixe, eu não me incomodo -, quando ele coloca seu braço em minha volta e até quando me leva um livro no final do expediente do trabalho, só porque disse que eu iria gostar. E gosto não por ele me agradar, mas por conseguir fazer isso sem qualquer esforço.
Gosto quando ele deixa a barba crescer - por favor, deixe, eu não me incomodo -, quando ele coloca seu braço em minha volta e até quando me leva um livro no final do expediente do trabalho, só porque disse que eu iria gostar. E gosto não por ele me agradar, mas por conseguir fazer isso sem qualquer esforço.
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Gosto dela
Eu realmente gosto dela. Gosto quando ela pega em minha nuca e entrelaça meus cabelos em seus dedos enquanto me beija, quando ela pede para desligar o ar e abrir a janela do carro, só para os seus cabelos dançarem com o vento.
Gosto quando ela me olha nos olhos enquanto fala e me escuta - eu não consigo, fico com vergonha -, quando morde seus lábios por pura mania, quando recita Carlos Drummond nos meus ouvidos e quando ela canta - mesmo que baixinho - aquele trecho dos Los Hermanos que nos identifica.
Gosto quando ela encosta a cabeça no meu peito enquanto assistimos um filme, quando ela morde meus lábios sorrindo e quando ela ri das minhas piadas - por mais toscas que sejam. Mas não por eu querer ser engraçado e sim, por gostar de escutar o som da sua risada - que eu costumo chamar de música.
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
Ano novo, vida velha
Não espere que o ano mude, você que tem que mudar.
À tarde, quando estou deitada na cama, com os pés para o alto, o cabelo bagunçado e os olhos no teto, imagino sonhos realizados ou o passado mal contado. Uns detalhes que fazem diferença, como uma piada com os amigos, uma noite sozinha ou até mesmo um café frio. Até mesmo aquela paquera rápida na cafeteria ou aquele sorriso roubado depois de uma gracinha qualquer de um desconhecido.
Detalhes tão simples que, ao invés de serem desprezíveis, dão um pouco de esperança. Como se a sociedade julgasse atos horrendos e completamente normais, mas que numa simples tarde, e de poucos minutos, fosse comum encontrar tamanha diferença.
É relativo demais, questão até de interpretação. O ato de abrir a porta do carro para a namorada ou até levar a bolsa dela é interpretado - acredite ou não - como machismo (a moça é incapaz de abrir a porta do carro ou levar suas próprias coisas). Desculpe-me se você concorda com tal afirmação, mas essa é minha opinião: estúpido.
Questão de visão também. Selecionei tais exemplos por serem quase desprezíveis, porque quis fugir de assuntos polêmicos demais (como aborto, legalização da maconha e etc). Como falei: relativo demais.
Parece besteira, mas é o te define. Se quiser viver os mesmos problemas, as mesmas discussões e generalizar sempre os mesmos assuntos, vá em frente. Mas não espere que, só porque é ano novo, a vida será nova. Claro, tem exceções, milagres... Só não espere REALMENTE acontecer. Ah!, e também tem a história de, se realmente acontecer, você estragar tudo (seja qualquer motivo), mas isso já é assunto para uma outra postagem...
sábado, 7 de dezembro de 2013
Domingo de sol
Senti um nó na garganta, como se já estivesse repetindo sempre as mesmas palavras, para as mesmas pessoas, nas mesmas ocasiões. Senti minha mente processar todos os repentinos momentos e nada produtivo gerado. Parecia totalmente desnecessário. Tempo desperdiçado.
Por um breve momento pareci não dá importância justificando tal pensamento como imaturo e pura idiotice. Foi quando senti um calafrio. Os castelos de areia, derrotados pela água na maioria das vezes, e o próprio vento quase sempre me deixavam com coceira na pele e muitos calafrios. Calafrios, que também eram gerados pela água salgada do mar, eram logo substituídos pela felicidade de comer caranguejo com a família. Esse era o meu domingo.
Abro os olhos. Uma varanda vazia, um jornal espalhado, a caneca do lado e um domingo ensolarado. Meu lábio puxa um sorriso esquerdo e contagia logo em seguida meu rosto.
Pensei com meus botões: eu ainda sou quem era antes. Ainda tenho vontade de deitar na areia, fazer um castelo, me irritar depois porque não consegui terminá-lo, correr para o mar, ter calafrios e comer caranguejo.
Nada muda, só o tempo. Eu envelheço, tenho uma rotina e acabo esquecendo de mim mesma. Os momentos simples na infância, tornam-se inesquecíveis no resto da vida.
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