terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Gosto dele



   Eu realmente gosto dele. Gosto quando ele esquece o casaco aqui e vem pegar no meio da tarde, quando estamos andando de mãos dadas e até quando ele rouba uma rosa de um muro qualquer. Gosto quando ele pega em meus cabelos e coloca-os de trás da orelha, quando ele lê Um homem visto por uma mulher e lembra de mim. Até de passar as mãos no seus cabelos negros enquanto está deitado nas minhas pernas, eu gosto. 
   Gosto quando ele olha minha caixa do correio, quando ele lembra de trazer o jornal de manhã cedo e fica deitado comigo no fim da tarde discutindo música - sempre com uma opinião formada de tudo. 
   Gosto quando ele deixa a barba crescer - por favor, deixe, eu não me incomodo -, quando ele coloca seu braço em minha volta e até quando me leva um livro no final do expediente do trabalho, só porque disse que eu iria gostar. E gosto não por ele me agradar, mas por conseguir fazer isso sem qualquer esforço. 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Gosto dela





   Eu realmente gosto dela. Gosto quando ela pega em minha nuca e entrelaça meus cabelos em seus dedos enquanto me beija, quando ela pede para desligar o ar e abrir a janela do carro, só para os seus cabelos dançarem com o vento. 
   Gosto quando ela me olha nos olhos enquanto fala e me escuta - eu não consigo, fico com vergonha -, quando morde seus lábios por pura mania, quando recita Carlos Drummond nos meus ouvidos e quando ela canta - mesmo que baixinho - aquele trecho dos Los Hermanos que nos identifica. 
   Gosto quando ela encosta a cabeça no meu peito enquanto assistimos um filme, quando ela morde meus lábios sorrindo e quando ela ri das minhas piadas - por mais toscas que sejam. Mas não por eu querer ser engraçado e sim, por gostar de escutar o som da sua risada - que eu costumo chamar de música. 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Ano novo, vida velha




   Não espere que o ano mude, você que tem que mudar. 

   
   À tarde, quando estou deitada na cama, com os pés para o alto, o cabelo bagunçado e os olhos no teto, imagino sonhos realizados ou o passado mal contado. Uns detalhes que fazem diferença, como uma piada com os amigos, uma noite sozinha ou até mesmo um café frio. Até mesmo aquela paquera rápida na cafeteria ou aquele sorriso roubado depois de uma gracinha qualquer de um desconhecido. 
   Detalhes tão simples que, ao invés de serem desprezíveis, dão um pouco de esperança. Como se a sociedade julgasse atos horrendos e completamente normais, mas que numa simples tarde, e de poucos minutos, fosse comum encontrar tamanha diferença.
   É relativo demais, questão até de interpretação. O ato de abrir a porta do carro para a namorada ou até levar a bolsa dela é interpretado - acredite ou não - como machismo (a moça é incapaz de abrir a porta do carro ou levar suas próprias coisas). Desculpe-me se você concorda com tal afirmação, mas essa é minha opinião: estúpido. 
   Questão de visão também. Selecionei tais exemplos por serem quase desprezíveis, porque quis fugir de assuntos polêmicos demais (como aborto, legalização da maconha e etc). Como falei: relativo demais.
   Parece besteira, mas é o te define. Se quiser viver os mesmos problemas, as mesmas discussões e generalizar sempre os mesmos assuntos, vá em frente. Mas não espere que, só porque é ano novo, a vida será nova. Claro, tem exceções, milagres... Só não espere REALMENTE acontecer. Ah!, e também tem a história de, se realmente acontecer, você estragar tudo (seja qualquer motivo), mas isso já é assunto para uma outra postagem...

sábado, 7 de dezembro de 2013

Domingo de sol





   Em um domingo ensolarado, com café frio e o jornal lido, me deito no chão da varanda, fecho meus olhos e deixo o vento sussurrar em meus ouvidos. De repente, tenho a impressão de estar vivendo um só dia. Como se não estivesse experimentando novos ares, culturas ou até lições - podiam até ser através de ilusões que eu não me importaria. 

   Senti um nó na garganta, como se já estivesse repetindo sempre as mesmas palavras, para as mesmas pessoas, nas mesmas ocasiões. Senti minha mente processar todos os repentinos momentos e nada produtivo gerado. Parecia totalmente desnecessário. Tempo desperdiçado. 
   Por um breve momento pareci não dá importância justificando tal pensamento como imaturo e pura idiotice. Foi quando senti um calafrio. Os castelos de areia, derrotados pela água na maioria das vezes, e o próprio vento quase sempre me deixavam com coceira na pele e muitos calafrios. Calafrios, que também eram gerados pela água salgada do mar, eram logo substituídos pela felicidade de comer caranguejo com a família. Esse era o meu domingo. 
   Abro os olhos. Uma varanda vazia, um jornal espalhado, a caneca do lado e um domingo ensolarado. Meu lábio puxa um sorriso esquerdo e contagia logo em seguida meu rosto. 
   Pensei com meus botões: eu ainda sou quem era antes. Ainda tenho vontade de deitar na areia, fazer um castelo, me irritar depois porque não consegui terminá-lo, correr para o mar, ter calafrios e comer caranguejo. 
   Nada muda, só o tempo. Eu envelheço, tenho uma rotina e acabo esquecendo de mim mesma. Os momentos simples na infância, tornam-se inesquecíveis no resto da vida. 

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Confusão



   Ruas amarelas,
   céu banhado de estrelas,
   uma brisa gelada
   e a dor acumulada.

   Tanto quis esquecer,
   para não deixar transparecer.
   Tento viver com as lições
   que aprendi com muitos corações.

   Afogo-me na multidão
   e encontro um refúgio.
   A cidade da confusão,
   agora ganha uma paixão. 
   

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

As ondas




   Quando fecho meus olhos,
   o azul dos mares me afoga
   em um mundo sem volta.

   A angústia que me dominava  
   foi quebrada no mar
   que antes me desanimava.

   E a realidade que deixei
   foi banhada pelas ondas
   que agora me apeguei. 

 

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Tentar sem desistir




   De tanto tentar,
   desistiu sem ver resultados.
   E, de tanto falar, 
   calou-se ao ver muitos retalhos.

   Pra curar da dor,
   improvisou muitos curativos,
   mas nada adiantou.
   Resolveu se camuflar 
   na multidão que sempre se afogou.

   E, no fim, percebeu
   que seu lugar sempre foi ali.
   Nos braços de alguém
   que sempre se lembrou de ti.