sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Olha o que você fez




   Neguei meus princípios, tentei ultrapassar meus limites e me forcei a comer uva passas com arroz no Natal com sua família. Pintou a parede do meu quarto, mudou a posição da cama e me guiou até eu me perder. Utilizou a lábia de especialista e consertou minha televisão, mas, quando partiu, deixo-a em preto e branco. Agora, largada no sofá com as frutas podres, abandonei as folhas que te incluíam em um mundo de perdão com pessoas dispostas a não atropelarem nosso relacionamento. 
   Não parei de escrever, não parei de saciar a vontade incontrolável de brincar com as palavras e fantasiar os mais estúpidos planos. Parei de me importar com suas encenações de eu-prometo-que-é-só-uma-fase-e-tudo-ficará-bem. Sim, eu sei que já falei isso antes e até peço desculpas pelos tombos que proporcionei - você bem sabe que a vida dá uns tropeços de vez em sempre.
   Só não esquece de vestir a camisa jogada na cadeira, deixar o telefone do pedreiro - pra ele vir dar uma olhada na parede rachada - e não olhar pra cima - porque eu vou estar te vendo dobrar a esquina. 

domingo, 7 de setembro de 2014

Meu modo de amar




   Desculpe-me quando me banho nos mares das minhas fantasias e te deixo curioso, negando revelar meus segredos. Nunca percebeu que eu planejo bobagens ao seu lado? Não te preocupas, porque meus maiores segredos te contarei ao lado do tempo.
   Você diz que não te dou valor, mas, meu bem, você não entende que quando, mesmo estando certa, eu te peço perdão, só para a gente não discutir? 
   Quando nego seu convite para ir jantar e ofereço a minha cozinha, não é porque tenho vergonha de você e não quero que as pessoas nos vejam juntos, como você insiste dizer. É pedir demais querer um lugar só nosso, com a nossa comida e as nossas risadas como companhia? 
   Perdoe-me quando me calo depois dos teus desabafos misturados com os teus soluços. Você mesmo recita aquela famosa frase de Leonardo da Vinci, as mais lindas palavras de amor são ditas no silêncio de um olhar, e eu a carrego sempre comigo, oferendo meu colo e minha mão no teu cabelo.
   Lembro-me bem do dia em que você cuspiu as mais sinceras palavras, alegando meu egoísmo o culpado dos nossos desentendimentos. Eu congelei, absorvi tudo e te dei razão. Não foi por insegura e, tão pouco, medo do que os outros vão pensar. O meu modo de amar não condiz com o tempo e o espaço em que vivo.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Libertando-me




   Lembro-me bem quando suas mãos tocaram meu rosto, delicadamente, e, minutos depois, você consumia meus segredos, discretamente, protegendo-me de qualquer mal presente ali. O problema, querido, é que eu não conseguia sentir o mesmo - e aquilo realmente me envergonhava. 
   Não neguei e não me arrependo. Conheci teu mundo, compartilhamos nossos sonhos - que nós até, boa parte, realizamos juntos - e inventamos nossas próprias certezas. Te levei aos meus lugares preferidos, fizemos, no meio da bagunça das nossas vidas, os jantares de sexta à noite, sempre dançando e rindo. Eu realmente sinto falta disso.
   Agradeço o ombro compartilhado, os sorrisos arrancados, a brutalidade das suas palavras, quando eu merecia, e o doce som da sua voz para me acalmar. Mas você me deixou partir, meu bem. 
   Você sabia de tudo, continuou, mas desistiu logo depois.Tenho medos, que me envergonho, e precisa ser paciente comigo. Você sempre disse que é um defeito - o meu maior, por sinal -, porque eu não me arrisco. Mas eu sinto muito, é mais forte do que eu imaginava.
   Eu não queria ir, mas você disse que estava me libertando - mal sabia que quem estava sendo libertado era você.

domingo, 1 de junho de 2014

Passou o dia




   Fui deitando no peito quente, aos poucos, ouvindo sua respiração pesada, vendo, do canto dos meus olhos, seu olhar fixo, analisando meus passos. Controlei a sede de beijar teus sonhos, levar-te aos meus segredos e mostrar-te meus planos de vida. Eu queria gravar cada segundo, indo com calma, observando os traços do teu corpo, admirando teu sorriso e escutando a musicalidade da tua voz. Ignorei suas mãos desenhando minhas costelas, o calor das tuas pernas sobre as minhas e os lençóis sobre nós.
   Nós não precisávamos falar pra conversar. Por todo esse tempo, eu, finalmente, consegui viver o presente, sem pensar no passado ou planejar o futuro. Nossa sincronia, tanto corpórea quanto emocional, era incrível. 
   Eu não sei quanto tempo ficamos assim. Só lembro de ter acordado no domingo, depois das doze. 
   



A espera o levou pra longe
De quem nunca esteve por perto
E para mais perto de quem sempre longe
Apenas o queria por perto...

sábado, 10 de maio de 2014

De novo




   Em nenhum dos meus passos, desejei o pesado, o gelado. Ironia do destino, caminhei em ruas escuras e banhadas de chuva, fugindo de lembranças desagradáveis, mas que chegavam aos poucos, me entrelaçando na cidade amarela. 
   Tive pesadelos longos, sem sentido. Não imaginei reviver tudo novamente, só por mera distração. Tão pouco, imaginei deixar-me abater - eu já deveria estar acostumada. Porque sussurros, calafrios e simplicidade são combinações perigosas, eu já sabia disso, mas corri o risco. 
   Na meia-noite, prometi - de novo - a mim mesma que, nas profundas tempestades, eu não iria me afogar, nem debruçar-me sobre o chão frio e ficar perguntando, ao vento, o porquê de não fazê-lo quente. O café acabou e meu limite de esperar, em uma cadeira desconfortável e um céu cinza, foi estourado. 

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Fantasia




   Bares de solidão, tomei doses dobradas. 
   Praia sem sol, fui na madrugada.
   Cinema sem amor, mas ilusão nem sempre é acompanhada de dor.

   Procurei nos lugares calmos,
   um sentido pra vida.
   Nem imaginei um dia,
   ser vítima da fantasia.

   Fantasia comum da sociedade,
   que esconde a verdade
   e cria a angústia
   (que a gente nem sabe o que faz com ela).

   A gente fica rondando a cidade, que à noite é amarela, atrás de uma razão, sem saber ao certo qual seria. Pula o muro rachado, anda mais rápido e, no fim, às vezes até tarde demais, aprende que nunca deveria ter saído do lugar. 

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Razões para acreditar

   Em meio aos noticiários catastróficos, pessimismo, tristeza e insegurança, eu procuro o lado bom da coisa, até nos mínimos detalhes - e isso acaba sendo um defeito, eu acho. No final das contas, ou eu aprendo com os erros - procurando nunca repeti-los - ou perco as esperanças sobre tal situação - na pior das hipóteses. 
   Quando o dia desbota, procuro não envolver muitas pessoas nos meus problemas - na maioria das vezes, sem sucesso - e acabo descontando nos blocos de papeis. Outras vezes, eu entro no Razões para Acreditar ou no Hypeness e fico navegando, com as emoções a flor da pele. Assim, esqueço, mesmo que temporariamente, os problemas e viajo imaginando um mundo melhor.
   Mas antes de imaginar, por que não mudar? Não adianta exigir "um novo mundo" se os próprios moradores não mudam. 

   
   Seja generoso.

   É difícil ser educado todos os dias, vamos admitir. Mas tentar nunca é demais, né? Um rapaz se veste de garçom e serve os moradores de rua, como se fossem clientes de um restaurante, com gentileza e simpatia. Reparem como a maioria fica surpresa e feliz com tal ação. 




   Faça a diferença.

   Um garotinho, muito engraçado, fez um vídeo selecionando "20 coisas que deveríamos falar mais vezes". Seu carisma revela que tais pontos são fundamentais para uma vida melhor. Vale a pena dá uma olhada. :)




   Ame.

   Apesar deste ponto ser "ame", selecionei um vídeo, que eu particularmente adoro, que demonstra um misto de vergonha e sensualidade - pontos principais existentes em um amor. Nele, completos estranhos terão que se beijar para uma propaganda. É realmente lindo. 



   Acredite!

   Pra finalizar, eu gosto dessa: um casal tirou a mesma foto em diferentes épocas do ano. A última é de emocionar.